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quarta-feira, 24 de março de 2010

Rumo a Ljubljana

"Passados uns calmos dias (entre outros), sem nada de "especial" para contar, aqui estou eu rumo a Ljubljana! De "mochila as costas" que afinal é apenas a mala laranja de guerra que já perdeu duas vezes as rodas, mas ainda esta para as curvas. Numa cabine de comboio se é assim que se chama, com três "personagens" checos que estão a fazer InterRail (informação visual, porque não percebo nada do que dizem) e escrevem atentamente "diários de bordo", um esloveno, pelo que percebi até agora (várias páginas de estudo), e um lugar vazio que logo se verá por quem será ocupado!
A noite está calma e sofro de uns quantos bocejos, (e de uma grande sesta a caminho de Veneza, que fez a viagem parecer minúscula). Já sei de cor todas as musicas do telemóvel, e quando o Eddie Vedder fala em português (devia ter escolhido uma Laura Pausini e um Eros Ramazzotti para ir cultivando o meu miserável italiano)!
O rapaz que vai no banco da frente a estudar, tenta sublinhar algumas frases das suas folhas, sem sucesso, pois acaba por as rasurar, e tento conter o riso e mexer no telemóvel, em vão, porque ficou cheio de vergonha e muda de página rapidamente sem voltar a utilizar a caneta.
Na ponta oposta o outro "rapazinho" escarafuncha tudo o que há dentro do compartimento enquanto as duas raparigas se ajeitam para dormir.
a rapariga do lado encontra-se cheio de apetrechos, "tapa-olhos", fones, e cada vez que abre a mala tira uma coisa estranha, desta vez foi uma almofada insuflável, á qual "nós dois da janela" nos rimos e tivemos que focar a nossa concentração noutro ponto, enquanto o amigo tira inúmeras fotos! O esloveno sublinha umas quantas frases quando o comboio pára.. e tive que me rir.
Sem que me tenha apercebido, já umas botas de montanha estão estacionadas entre os meus pés, e qual não é o meu espanto, ELA ESTÁ DESCALÇA (o esloveno reage a minha expressão facial com uma risada).
Entretanto retira da mala um pijama ou um saco de água quente!!!
Em Villa Opicina (não faço a mínima ideia de onde se situa, mas é o nome que vejo escrito na estação e calculo que seja na fronteira) a minha profunda sesta e a dos colegas é interrompida por um senhor "polizia" bastante mal humorado, o qual nos pede os documentos de identificação. Lê atentamente os passaportes dos "InterRail" E confere pelo intercomunicador todos os dados, enquanto dita todos os carimbos presentes. Fico assim a saber que o "esloveno" que nunca falou, afinal é espanhol!!!
Só tem umas folhas de uma faculdade eslovena "afinal"! Ás vezes esqueço-me que existe erasmus!"
Finalmente em Ljubljana e de novo com caras conhecidas um sofá e um computador!
Amanhã rumo a Belgrade,cheios de coragem e vontade de trazer de lá boas noticias!!

domingo, 14 de março de 2010

. . .

O fim-de-semana chegou ao fim, e fico sem saber se me agrada a ideia ou nem por isso. Hoje tal como ontem, foram dias demasiado grandes, e a boa disposição nem por isso tem feito parte.
Queria-te dizer tanta coisa, mas todas as palavras parecem pequenas e pesadas, e sinto-me impotente por não poder estar do teu lado. A tua queda súbita puxou-me tanto contigo e fez-me repensar todas as coisas que desperdiçamos e nem sabemos porquê…
“Se pudesse voltar atrás ia ser tudo diferente”
Mas é mentira, porque todos os dias que tivemos pela frente, depois dos que passaram, não tentamos em nada ser melhores, sentamo-nos acomodadíssimos com tudo aquilo que temos e lamentamos o que não temos, e na maioria das vezes referimo-nos da forma mais fútil ao que nos rodeia e não pensamos que bastava só “ter-te aqui”, que parece tão fácil e acessível, mas sufoca-me pensar que algum dia será impossível.
Queria abraçar-te com força e dizer que vai tudo correr bem, mas soa de uma forma tão oca que quase se torna ridícula.
Precisas de ter força e o facto de seres forte não te torna imune a essa mesma dor que todos dizemos que compreendemos, mas que só se torna desesperante quando nos toca de uma forma mais próxima.
Magoa-me a tua tristeza e mais uma vez, não posso fazer nada, queria parar o tempo e fazer com que não o sentisses, até ser outro dia, e outro, e outro e não haver mais nada para dizer. O tempo parece tão curto e cansativo, depois de tremenda luta irrita-me teres que perder.
Estive o dia todo contigo, ainda que a km de distância. Vou ficar por aqui e sempre que for preciso eu estou.
Precisamos todos da tua força assim como precisas da nossa, e são dias péssimos e intermináveis, mas precisas de querer ficar bem.
Apetece-me gritar tão alto para que ouvisses, lamento tanto..
Mas mais uma vez isso não chega.

sexta-feira, 12 de março de 2010

good morning sunshine

Está sol,e do lado de dentro da minha janela parece-me quente, ainda nao cometi a ousadia de a abrir.
Vou vestir umas 3 camisolas,e uns dois casacos, umas luvas e uns quantos apetrechos e vou aproveitar a luz, que hoje a cidade parece clara, deve-se ter cansado do cinzento habitual, faz-lhe bem mudar de ares de vez em quando!
Este fim de semana vai ser de visitas, (parece um desabafo de um recluso) e agrada-me profundamente ver caras conhecidas, pessoas que falam realmente a mesma lingua!! Dá para respirar fundo com mais convicção!
Preciso de me despachar, desta vez só o sol é que espera, ninguem vai reclamar, mas certamente não espera muito mais tempo...
Mais tarde com a força "de alguma coisa" passo para deixar mais umas palavritas!
E preciso que este saco de gomas acabe, que já estou mal disposta!

Fica o "hino" ás coisas boas da vida!

quarta-feira, 10 de março de 2010

back "home"

Ganhei coragem!!!
Visto que já neva ha algum tempo e quer me parecer que não tenciona parar, sento-me aqui uns minutinhos, pode ser que me ocorra alguma coisa!
Supostamente o "1st post" devia ter sido no dia em que CHEGUEI a Milão, mas no meio de coisas e mais coisas... o post.it ficou "adormecido", fui-me esquecendo!
Agora de volta a Milão (e ainda agora cheguei), depois das pequenas férias em Agadir (pensando bem.. estive no continente africano... hunnn), depois do sol, do calor, da praia, dos mercados, da comida tradicional que em tempo algum julguei que conseguisse comer ao pensar na "mosca", e de tudo e mais alguma coisa que aptece comprar, cheguei e troquei uns chinelos por um monte de roupa!
Estou de volta a civilização, agrada-me pensar assim para não custar tanto voltar a rotina, que acho que ha uns tempos longos, deixou de ser rotina!
Não ter nenhum tipo de obrigação ou horário forçado foi deixando ponderar aquilo que se pode fazer com esse tempo!
Os fones, as séries, o pc, o tele.. acabaram por se tornar os grandes companheiros,e ficar sem eles quando não ja mais ninguém "palpavel", torna-se bastante complicado!
Aptece-me dizer tanta coisa e ao mesmo tempo não me aptece dizer nada.
Tenho saudades do meu quarto, da minha casa, do dexter, do francisco, de graçolas, de noites em garagens, de maquetes, de trambolhões na minha rua, de comer peixe, de beber uma super bock, de sandes das amarelas, de coimbra, do pai, da mãe, de conduzir, de não saber o que hei de vestir, de ficar á lareira, de adormecer no sofá, de ver tv, de não ter tempo para arrumar o quarto, de tostas mistas, de psicológico, do baleal, do cheiro do amaciador da mãe, de tennis, de extravaganza, de net rapidissima, de viagens de carro, de pessoas a quem o silêncio não incomoda...
Acaba por se tornar uma perda de tempo pensar nisso demasiadas vezes, faz parte!!!
Repensando Agadir :
Imensas pessoas sem nada, e preocupamo-nos vezes sem conta eu futilidades, de certa forma condenavel, mas nunca vai mudar, o ritmo de vida que nos é imposto, ou nos torna pessoas consumistas(de uma forma moderada), ou nos torna "desleixados", e não ha volta a dar.
Desde um autocarro cheio onde certamente ainda vai haver lugar para mais 30, de peixarias e talhos na rua, cobertos de moscas, de comida tratada como "sapatos", de criancinhas que trabalham bastante mais do que nós, de lixo, de pessoas com um ar bastante acabado, que desesperadamente nos puxam para dentro das lojas para negociar a todo o custo! Este foi o lado menos bom, porque no meio de tanta coisa negativa, existem muitas abordagens positivas, as quais aquelas pessoas dão um valor gigante, e fazem questão de partilhar com quem lá passa.
"só visto.. contado ninguém acredita"