O fim-de-semana chegou ao fim, e fico sem saber se me agrada a ideia ou nem por isso. Hoje tal como ontem, foram dias demasiado grandes, e a boa disposição nem por isso tem feito parte.
Queria-te dizer tanta coisa, mas todas as palavras parecem pequenas e pesadas, e sinto-me impotente por não poder estar do teu lado. A tua queda súbita puxou-me tanto contigo e fez-me repensar todas as coisas que desperdiçamos e nem sabemos porquê…
“Se pudesse voltar atrás ia ser tudo diferente”
Mas é mentira, porque todos os dias que tivemos pela frente, depois dos que passaram, não tentamos em nada ser melhores, sentamo-nos acomodadíssimos com tudo aquilo que temos e lamentamos o que não temos, e na maioria das vezes referimo-nos da forma mais fútil ao que nos rodeia e não pensamos que bastava só “ter-te aqui”, que parece tão fácil e acessível, mas sufoca-me pensar que algum dia será impossível.
Queria abraçar-te com força e dizer que vai tudo correr bem, mas soa de uma forma tão oca que quase se torna ridícula.
Precisas de ter força e o facto de seres forte não te torna imune a essa mesma dor que todos dizemos que compreendemos, mas que só se torna desesperante quando nos toca de uma forma mais próxima.
Magoa-me a tua tristeza e mais uma vez, não posso fazer nada, queria parar o tempo e fazer com que não o sentisses, até ser outro dia, e outro, e outro e não haver mais nada para dizer. O tempo parece tão curto e cansativo, depois de tremenda luta irrita-me teres que perder.
Estive o dia todo contigo, ainda que a km de distância. Vou ficar por aqui e sempre que for preciso eu estou.
Precisamos todos da tua força assim como precisas da nossa, e são dias péssimos e intermináveis, mas precisas de querer ficar bem.
Apetece-me gritar tão alto para que ouvisses, lamento tanto..
Mas mais uma vez isso não chega.
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Don't cry over my tomb
ResponderEliminarI’m not there , i'm not dead.
Olá minha querida...
Obrigada pelo texto, amei... vi-o na segunda, não sei o que tenho para dizer mas quero que saibas que gostei da homenagem e que eu ouvi o teu grito de longe. Ja queria ter comentado À mais tempo, mas as palavras não saem e o que quer que eu diga parece-me que nada vai melhorar nem me fazer sentir melhor.
É realmente a perda mais dolorosa que pode haver, guio-me um bocado pelas palavras de amigos que tambem perderam os pais e também pelos meus avós ("pai algum deveria ter de enterrar os filhos"). A dor é diferente em cada um de nós, a unica semelhança é talvez a sombra e a escuridão permanente e torturante que fica perdida no quanto, na mesa das refeiçoes, nas escadas para o meu quarto ou no banco do carro. Sou sincera, ganhei medo do mundo, de tudo o que está para la das paredes da minha casa, quero estar sozinha, não quero ouvir barulho e não quero ver pessoas. Não será assim para sempre eu sei, mas por agora é a maneira que eu tenho de me ir levantando aos poucos.
De todas as coisas que eu queria ter feito, dar um ultimo abraço ou dizer "pai, adoro-te" a unica que me é mais dolorosa é lembrar-me sempre da minha mae no sabado 13 as 7.30 sentare-se na minha cama com o queixo a tremer e dizer "filha, o pai morreu". ..... Era eu que lhe dava quase sempre os medicamentos, uma "mão cheia", a culpa é minha tambem, por nao querer aceitar que aquela morfina era para dar um fim de vida melhor pensando que aquilo ia acabar, que ele ia melhorar e que daqui a uns meses mais nada daquilo ia ser preciso. Sabes, a dor é suportavel, temo que o que aí vem será ainda mais sufucante e extremamente doloroso, a saudade!
Prefiro pensar que o meu pai nao morreu, morreu fisicamente, mas ele está por aí, eu sei que está, mas isso não chega, isso não chega...
Vou-me manter mais um bocado na minha conxa, enquanto isso temos de viver tambem "mais um bocado".
E sim, depois de dura batalha durante 5 anos, a perda é sem duvida revoltante.. "A esperança é a ultima a morrer", quanto a isto so tenho a dizer, não me enganas mais!
Gosto muito de ti, obrigada! *